A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava (Florianópolis), chegou a um novo capítulo: a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a internação de um dos adolescentes apontados como responsável pela agressão que resultou na morte do animal.
O cão conhecido como Orelha, que vivia há quase uma década na Praia Brava — litoral norte de Florianópolis — como um animal comunitário amado pelos moradores da região, foi brutalmente atacado na madrugada do dia 4 de janeiro de 2026. Segundo laudos da Polícia Científica, ele sofreu uma pancada contundente na cabeça por volta das 5h30 daquela manhã, possivelmente causada por um chute ou por um objeto como um pedaço de madeira.
Resgatado pelos moradores e levado a uma clínica veterinária, Orelha não resistiu e teve que ser euthanizado no dia seguinte devido à gravidade dos ferimentos.
Após um mês de investigação, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso e encaminhou a investigação ao Judiciário nesta terça-feira (3 de fevereiro). Com base em imagens captadas por câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análises de localização e vestimentas dos suspeitos, foi possível identificar um dos adolescentes como autor do ataque que matou o cão.
Devido à gravidade do crime, a polícia requisitou a internaçao do adolescente responsável. No Brasil, por se tratar de um menor de idade, a internação é a medida socioeducativa que equivale, em rigor, a uma prisão no sistema adulto — sendo aplicada conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Além desse caso, a investigação também mapeou uma tentativa de afogamento contra outro animal, chamado Caramelo, que conseguiu sobreviver. Por esse episódio, a polícia representou contra quatro adolescentes.
O caso ganhou ampla repercussão em todo o Brasil e desencadeou protestos locais em defesa dos animais. A morte de Orelha também gerou debates sobre a proteção de animais comunitários e a punição de maus-tratos na legislação.
Outro ponto que chamou atenção foi que um dos adolescentes apontados na investigação viajou para o exterior no mesmo dia em que a polícia identificou suspeitos — ele retornou ao Brasil no final de janeiro e foi abordado pela polícia no aeroporto.
Além disso, familiares de alguns adolescentes chegaram a ser indiciados pela polícia por coação de testemunha, o que acrescenta complexidade ao caso.
Segundo especialistas em legislação, crimes de maus-tratos contra animais no Brasil são puníveis com pena de reclusão entre 2 e 5 anos, além de multa e proibição de guarda de animais. No entanto, quando os suspeitos são menores de idade, a regra aplicável é o ECA, que prevê medidas socioeducativas, como a internação, em vez de pena privativa de liberdade no sistema adulto.
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