Servidor público é condenado após amputar o próprio pé para tentar receber R$ 1,5 milhão em seguros na Bahia.

Um caso que chamou a atenção da Justiça baiana teve um desfecho definitivo. Um servidor público foi condenado por estelionato após amputar o próprio pé em uma tentativa de receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de quatro seguradoras.

O caso aconteceu em 2019, mas a condenação transitou em julgado e o condenado iniciou o cumprimento da pena em maio de 2026. Segundo as investigações, o homem contratou quatro apólices de seguro de vida e acidentes pessoais em um intervalo inferior a três semanas. Apenas seis dias após a última contratação, ele apareceu com o pé direito amputado e afirmou à polícia que havia sido vítima de um sequestro seguido de assalto.

No entanto, as investigações da Polícia Civil, laudos periciais e a análise das seguradoras apontaram diversas contradições na versão apresentada. O pé amputado foi encontrado junto a uma mochila contendo pertences da vítima, o que enfraqueceu a hipótese de roubo. Além disso, especialistas concluíram que a lesão não era compatível com a narrativa de um ataque cometido com golpes de facão durante um assalto.

Outro fator que despertou suspeitas foi o valor elevado das apólices contratadas em curto espaço de tempo, incompatível com a condição financeira do servidor. As seguradoras cruzaram informações e identificaram a tentativa de fraude antes que qualquer indenização fosse paga.

A Justiça da Bahia manteve a condenação por fraude para recebimento de indenização securitária. A pena de dois anos de reclusão em regime aberto foi substituída por medidas alternativas, incluindo 720 horas de prestação de serviços à comunidade e o pagamento de prestação pecuniária. A defesa tentou reverter a decisão, alegando falta de provas, mas o recurso foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça da Bahia.

Segundo os advogados das seguradoras, o caso é considerado um dos mais emblemáticos envolvendo fraudes contra seguros no estado, reforçando a importância da integração entre as empresas e os órgãos de investigação para identificar golpes desse tipo.

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