O dólar comercial encerrou o pregão desta segunda-feira em queda, cotado a R$ 5,40, após recuar 0,8% em relação ao fechamento anterior. O movimento foi diretamente influenciado pela repercussão internacional da prisão de Nicolás Maduro em Caracas, durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. A captura do líder venezuelano, que há anos enfrenta acusações de fraude eleitoral e violações de direitos humanos, foi interpretada pelos investidores como um sinal de possível estabilização política na região, reduzindo a percepção de risco sobre países vizinhos, como o Brasil.
A reação imediata dos mercados foi de alívio. Analistas destacam que, diante da incerteza que pairava sobre a Venezuela e seus reflexos na América Latina, a prisão de Maduro trouxe uma leitura de que o cenário pode caminhar para uma solução diplomática, ainda que complexa. Essa expectativa contribuiu para a valorização do real frente ao dólar, com entrada de fluxo estrangeiro e maior apetite por ativos brasileiros. A Bolsa de Valores também registrou alta, impulsionada por empresas exportadoras e do setor de commodities, que se beneficiam da queda da moeda norte-americana.
No entanto, especialistas alertam que o movimento pode ser apenas temporário. A crise venezuelana está longe de ser resolvida e dependerá das negociações políticas que se seguirão entre Washington, Caracas e organismos internacionais. Além disso, a postura do governo brasileiro será observada de perto, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido aconselhado a deixar o tema restrito ao Itamaraty, evitando exposição pessoal em um momento de tensão diplomática.
O câmbio, portanto, segue sensível aos desdobramentos da situação. Caso o conflito se agrave ou surjam novos impasses, o dólar pode voltar a subir rapidamente. Por outro lado, se houver avanços em direção a uma transição política na Venezuela, o real poderá se beneficiar ainda mais. Para os investidores, o episódio reforça como eventos geopolíticos têm impacto direto e imediato sobre o mercado financeiro brasileiro, tornando o acompanhamento das notícias internacionais tão relevante quanto os indicadores econômicos domésticos.
Em resumo, a queda do dólar para R$ 5,40 reflete um momento de otimismo cauteloso. A prisão de Maduro trouxe uma sensação de redução de risco imediato, mas os próximos capítulos da crise venezuelana serão determinantes para definir a trajetória da moeda e o humor dos mercados nos dias seguintes.
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