Varejista afirma que recursos foram retirados de suas contas e busca impedir novas saídas de dinheiro do caixa
O Grupo Casas Bahia entrou na Justiça de São Paulo para pedir que o Banco do Brasil devolva R$ 422 milhões que, segundo a empresa, foram debitados de suas contas após o início do processo de recuperação judicial. A medida ocorre em meio a uma grave crise financeira enfrentada pela varejista.
A companhia entrou com pedido de recuperação judicial no dia 16 de agosto, declarando um passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. O objetivo do processo é reorganizar as dívidas e preservar a operação da empresa enquanto negocia com seus credores.
Na ação apresentada à Justiça, a Casas Bahia afirma que o valor de R$ 422 milhões teria sido retirado pelo Banco do Brasil em razão de garantias prestadas a fornecedores da companhia.
A varejista argumenta que a retirada dos recursos prejudica o fluxo de caixa e pode comprometer o processo de recuperação judicial. Segundo a empresa, todos os credores devem ser submetidos às regras estabelecidas no processo, evitando que alguns recebam valores antes dos demais.
Além do conflito com o Banco do Brasil, a companhia relata dificuldades relacionadas a outras instituições financeiras e empresas de meios de pagamento. Segundo informações apresentadas no processo, mais de R$ 18 milhões em recebíveis teriam sido retidos por empresas como Cielo, Getnet e Redecard.
O caso ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (28). Em manifestação à Justiça, o Banco do Brasil negou ter debitado os R$ 422 milhões das contas da Casas Bahia.
O banco afirmou que houve apenas uma tentativa de débito, posteriormente estornada por falta de saldo, e acusou a varejista de apresentar informações incorretas no processo judicial. O BB pediu que a Justiça rejeite o pedido de urgência feito pela empresa e classificou a iniciativa como possível litigância de má-fé.
A Casas Bahia, por sua vez, havia apresentado uma captura de tela com lançamentos futuros para sustentar a alegação de que os recursos seriam retirados.
A disputa judicial acontece em um momento de forte reestruturação da Casas Bahia. A empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e enfrentou também uma batalha judicial relacionada à demissão coletiva de aproximadamente 3 mil trabalhadores. A Justiça do Trabalho manteve suspensas as demissões enquanto não houver negociação com os sindicatos.
A recuperação judicial é uma tentativa de evitar que a crise financeira leve a uma paralisação das atividades. O processo prevê a negociação das dívidas com os credores e a apresentação de um plano de recuperação que deverá ser submetido à análise judicial e, posteriormente, aos credores.
A saída de recursos durante o processo é uma das principais preocupações da companhia. A Casas Bahia sustenta que precisa preservar dinheiro em caixa para manter as operações, pagar despesas essenciais e continuar funcionando enquanto negocia sua dívida.
A Justiça de São Paulo deverá analisar os pedidos apresentados pela varejista e os argumentos do Banco do Brasil. O desfecho da disputa poderá ter impacto direto sobre o caixa da empresa e sobre o processo de recuperação judicial.
Enquanto isso, a Casas Bahia tenta conter novas retenções e garantir recursos suficientes para manter suas operações durante uma das maiores crises financeiras de sua história.
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