O prefeito de Caaporã, Francisco Nazário de Oliveira, conhecido como Chico Nazário (União Brasil), foi afastado do cargo nesta quinta-feira (20) durante a Operação Purgatório, deflagrada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Polícia Civil. A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos relacionados principalmente à coleta de resíduos sólidos e à limpeza urbana do município.
Segundo o Ministério Público, o suposto esquema teria sido estruturado dentro da administração municipal para direcionar contratações, promover irregularidades em procedimentos licitatórios e provocar prejuízos aos cofres públicos. O dano estimado já ultrapassa R$ 2 milhões.
A operação é resultado de uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), pela Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (Ccrimp/MPPB) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), da Polícia Civil da Paraíba.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em locais ligados aos investigados, incluindo a sede da Prefeitura de Caaporã e endereços relacionados ao prefeito. Ao todo, a operação possui 12 alvos, entre pessoas físicas e empresas.
Além do prefeito, também foram afastados o secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos e a agente de contratação do município. Três empresas aparecem entre os alvos da investigação.
As investigações tiveram início após a divulgação, em 2024, de um vídeo no qual Francisco Nazário aparece recebendo uma bolsa contendo dinheiro em espécie. Segundo informações divulgadas durante a investigação, o episódio passou a ser analisado pelo Ministério Público e contribuiu para o aprofundamento das apurações.
De acordo com os investigadores, existe a suspeita de que valores teriam sido entregues durante o período eleitoral e posteriormente relacionados à contratação de empresa para serviços de coleta de lixo no município. As circunstâncias e a origem dos recursos são objeto da investigação.
Além das possíveis fraudes em licitações, o Ministério Público apura suspeitas de dispensas ilegais de licitação, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais.
A investigação também busca identificar a participação individual de cada um dos envolvidos e verificar se outras pessoas ou empresas podem estar relacionadas ao suposto esquema.
É importante destacar que as suspeitas ainda estão sendo investigadas e que o afastamento do prefeito é uma medida cautelar, não uma condenação definitiva.
Com o afastamento de Chico Nazário, o vice-prefeito Carlos Monteiro assumiu a Prefeitura de Caaporã de forma interina. A mudança ocorreu nesta quinta-feira, após a decisão judicial que determinou o afastamento do prefeito investigado.
O objetivo da medida cautelar é evitar possíveis interferências nas investigações enquanto os órgãos responsáveis continuam analisando documentos, contratos e outros elementos apreendidos durante a operação.
O Ministério Público informou que a Operação Purgatório ainda está em andamento. As autoridades pretendem aprofundar a análise das provas, esclarecer a participação de cada investigado e verificar a eventual existência de outros envolvidos.
O caso chama atenção pelo valor do possível prejuízo aos cofres públicos e pela suspeita de irregularidades em contratos essenciais para o município, especialmente os relacionados à coleta de lixo e à limpeza urbana.
A defesa do prefeito ainda deverá se manifestar sobre as acusações. Até o momento, conforme informações divulgadas pela imprensa, o contato feito com Chico Nazário não havia recebido resposta. Uma das empresas investigadas informou que está colaborando com as autoridades e forneceu a documentação solicitada pelo Ministério Público.
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