Contas da Bahia pioram na gestão Jerônimo Rodrigues, mas investimentos aumentam.

A situação fiscal da Bahia apresentou piora durante a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), quando comparada ao período anterior, comandado por Rui Costa (PT). Apesar do aumento dos investimentos públicos, indicadores importantes das contas estaduais apontam para uma redução da margem financeira do estado.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, o governo baiano iniciou a atual gestão com um superávit orçamentário acumulado de R$ 8,48 bilhões ao final de 2022. Para 2026, porém, as projeções oficiais apontam para um possível déficit de R$ 5,72 bilhões no ano. Considerando o acumulado do quadriênio, a estimativa chega a um déficit de aproximadamente R$ 7,3 bilhões.

Outro indicador que apresentou mudança significativa foi o resultado primário, que considera as receitas e despesas do governo sem incluir os juros da dívida. Durante os quatro anos da gestão Rui Costa, o estado acumulou resultado primário positivo de R$ 13,5 bilhões. Na atual administração, a projeção é de um resultado negativo de R$ 3,32 bilhões ao final do mandato.

A disponibilidade de recursos também diminuiu. O caixa livre do estado, depois de descontadas as obrigações a pagar, terminou 2025 em cerca de R$ 900 milhões, contra R$ 5,3 bilhões registrados ao final de 2022.

Por outro lado, os investimentos realizados pelo governo aumentaram. Considerando as projeções para 2026, a atual gestão deverá somar aproximadamente R$ 29,1 bilhões em investimentos, enquanto o governo Rui Costa registrou R$ 23,4 bilhões no período anterior. Entre as áreas que receberam recursos estão infraestrutura, saúde, educação, segurança, rodovias, mobilidade urbana e saneamento.

Mesmo com a piora de alguns indicadores, a Bahia ainda mantém níveis considerados controlados de endividamento e gastos com pessoal. Em 2025, a dívida consolidada líquida representava 35,67% da Receita Corrente Líquida, muito abaixo do limite de 200% estabelecido para os estados. As despesas com pessoal correspondiam a 40,36% da receita, também abaixo do limite previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Outro ponto de atenção é o déficit previdenciário. O rombo da Previdência estadual passou de R$ 6 bilhões em 2022 para R$ 7,1 bilhões em 2025. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o envelhecimento do quadro de servidores pode continuar pressionando as contas públicas nos próximos anos.

A Bahia também ampliou a previsão de renúncias fiscais. Para 2027, o governo estima deixar de arrecadar cerca de R$ 9 bilhões por meio de benefícios fiscais, valor que pode chegar a R$ 10 bilhões em 2029. Entre os setores beneficiados está o automotivo, incluindo a montadora BYD.

Apesar dos alertas sobre a deterioração de alguns indicadores, especialistas avaliam que a situação fiscal da Bahia ainda está distante de um cenário de crise. O estado mantém dívida considerada baixa e capacidade para contratar operações de crédito com garantia da União.

A Secretaria da Fazenda da Bahia também defendeu a situação financeira do estado e afirmou que o governo ampliou os investimentos utilizando recursos acumulados anteriormente, mantendo o endividamento sob controle.

O cenário, portanto, apresenta dois lados: de um lado, a Bahia ampliou os investimentos públicos durante a gestão Jerônimo Rodrigues; de outro, houve redução da folga financeira e aumento dos déficits orçamentário, primário e previdenciário, fatores que deverão continuar no centro do debate sobre as contas públicas estaduais.

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