O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) detalhou, nesta segunda-feira (21), durante uma sabatina do Projeto Prisma, do Bahia Notícias, a proposta chamada de “Pix Saúde”, apresentada em seu plano de governo para a área da saúde. Durante a entrevista, o candidato também fez críticas à administração do governador Jerônimo Rodrigues (PT), seu adversário na disputa eleitoral de 2026.
Segundo ACM Neto, o programa teria como objetivo ampliar a oferta de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da contratação de hospitais particulares e filantrópicos quando a rede pública não conseguir atender à demanda dentro de determinados prazos.
De acordo com a proposta apresentada pelo candidato, o governo estadual credenciaria hospitais privados e filantrópicos em diferentes regiões da Bahia para realizar procedimentos destinados a pacientes do SUS.
Um dos principais pontos apresentados por ACM Neto é a criação de uma tabela própria de remuneração, com valores superiores aos atualmente praticados pela tabela do SUS. O candidato afirmou que pretende utilizar como referência um modelo adotado no estado de São Paulo.
“O ponto central para viabilizar o projeto é a tabela que você vai definir”, afirmou ACM Neto durante a sabatina, ao explicar que a remuneração seria utilizada como forma de estimular hospitais a disponibilizarem leitos e procedimentos para pacientes da rede pública.
A proposta não prevê o envio de dinheiro diretamente para os pacientes. Conforme os detalhes apresentados anteriormente pelo candidato, o pagamento seria realizado pelo governo diretamente aos hospitais credenciados, depois da realização e comprovação dos procedimentos.
O plano de governo de ACM Neto prevê que o programa seja implantado gradualmente, começando pelas áreas que apresentam maiores filas de atendimento.
Entre as prioridades mencionadas estão cirurgias eletivas, oncologia, ortopedia e situações de urgência e emergência. O programa também prevê que os recursos sejam definidos por meio do orçamento estadual.
Segundo o plano apresentado à Justiça Eleitoral, a contratação de serviços privados ou filantrópicos ocorreria quando a rede pública não conseguisse realizar determinado atendimento dentro do prazo estabelecido.
Durante a entrevista ao Projeto Prisma, ACM Neto também direcionou críticas ao governador Jerônimo Rodrigues, principalmente em relação à situação da saúde pública e à fila de regulação.
O candidato afirmou que existem problemas relacionados à demora para atendimento, além de situações envolvendo pacientes que aguardam procedimentos e atendimento de urgência.
Ao fazer a crítica, ACM Neto declarou que “a realidade é diferente da propaganda de Jerônimo”. A afirmação foi feita durante a discussão sobre os problemas que, segundo ele, não estariam sendo suficientemente apresentados pela atual gestão.
As declarações fazem parte do confronto político entre os dois grupos que disputam o Governo da Bahia nas eleições de 2026.
O chamado Pix Saúde também passou a ser alvo de questionamentos de adversários políticos de ACM Neto.
O deputado estadual e candidato à reeleição Robinson Almeida (PT) questionou por que uma estratégia semelhante não teria sido utilizada durante os dois mandatos de ACM Neto à frente da Prefeitura de Salvador. Ele também citou dados de cobertura da atenção básica da capital ao final daquele período.
Já o candidato ao Senado Rui Costa (PT) afirmou que a contratação de serviços privados pelo poder público já ocorre quando existe disponibilidade de atendimento e questionou a aplicabilidade da proposta em municípios do interior onde a rede hospitalar privada é mais limitada. Essas declarações são posicionamentos políticos de Rui Costa sobre o programa.
Em entrevista anterior, ACM Neto afirmou que os pagamentos aos hospitais credenciados seriam acompanhados por mecanismos de controle e transparência.
Segundo a proposta apresentada, órgãos como o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a Controladoria do Estado poderiam acompanhar os contratos e os pagamentos realizados pelo programa.
O plano de governo também estabelece que o programa deverá ter orçamento definido na legislação orçamentária estadual.
A saúde pública se tornou um dos temas presentes no debate eleitoral baiano de 2026. De um lado, ACM Neto apresenta o Pix Saúde como uma proposta para ampliar rapidamente a capacidade de atendimento por meio da contratação complementar de hospitais privados e filantrópicos.
Do outro, integrantes do grupo político do governador Jerônimo Rodrigues questionam a necessidade e a novidade do modelo, além de relacionarem a proposta à experiência administrativa de ACM Neto em Salvador.
Até o momento, o Pix Saúde permanece como uma proposta de campanha para o período de 2027 a 2030, caso ACM Neto seja eleito. O programa ainda depende de regulamentação, definição orçamentária e estabelecimento dos critérios para credenciamento e contratação dos serviços.
O debate sobre a proposta deve continuar durante a campanha eleitoral, especialmente em relação ao financiamento, à disponibilidade de hospitais credenciados no interior e aos critérios utilizados para determinar quando um paciente será encaminhado para atendimento na rede privada.
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